• Rosa Maria Paulino

Mudanças no horizonte

De repente, sua aposentadoria está chegando. Depois de planejar por longo tempo como seria parar de trabalhar, você descobre que o processo de parar de contar com um hollerith e começar a viver de suas economias é mais complicado do que você imaginava.

A primeira pergunta a ser fazer é quando você deveria começar a planejar a aposentadoria. A maioria dos experts recomenda começar esse planejamento pelo menos dois anos antes do momento de se aposentar. Quanto mais tempo você tiver para se preparar, mais fácil será conseguir fazer as coisas que imaginou.

Uma vez decidido o cronograma, está na hora de considerar 3 áreas críticas relacionadas à aposentadoria:

  1. Necessidade financeira: com que fontes de receita você espera contar? Qual será o valor de seu benefício do INSS? Você vai ter uma previdência privada? Vai ter outras fontes de renda?

  2. Qual será o tamanho de suas despesas? De modo geral, as despesas de uma pessoa ao se aposentar representam cerca de 80% de suas despesas quando na ativa, mas isso depende do estilo de vida que ela planeja ter dali para a frente. Se você pretende viajar regularmente, provavelmente suas despesas serão iguais ao até mesmo superiores ao patamar atual. Se, por outro lado, você está pensando em se mudar para uma cidade do interior ou para uma casa menor, suas necessidades financeiras serão consideravelmente menores. O importante é fazer uma avaliação realista de quanto dinheiro você irá necessitar.

  3. Qual é a sua expectativa de vida? Quando o conceito de aposentadoria surgiu, as pessoas, com sorte, viviam até os 65 anos. Agora, as pessoas estão chegando aos 80, 90 e até mesmo aos 100 anos. Sua longevidade vai impactar sua necessidade financeira durante a aposentadoria, já que quanto mais você viver, de mais dinheiro irá precisar.

Suas respostas a essas 3 perguntas irão indicar se a idéia de parar de trabalhar é viável. Se for, está na hora de começar a considerar cuidadosamente alguns aspectos:

Avalie seu plano de saúde

Pessoas que param de trabalhar costumam fazer uso mais intensivo do plano de assistência médica e de medicamentos. Antes de parar de trabalhar, converse com a área de Recursos Humanos de sua empresa para entender sua situação com relação ao plano de saúde corporativo. Você vai poder manter esse plano? Com a mesma cobertura? Pagando quanto e por quanto tempo?

Se não puder contar com o plano da empresa, avalie se pode adquirir um plano da mesma operadora, mas como pessoa física. Muitas vezes, isso resulta em custos menores e isenção de carências para uso de todos os benefícios. De qualquer maneira, solicite propostas de outras empresas para poder comparar o nível de cobertura e os custos envolvidos. E lembre-se de que as características de utilização dos serviços de saúde mudam ao longo do tempo e é importante entender o que faz parte da cobertura do plano antes de assinar o contrato.

Pense no que gostaria de fazer

Decida como você gostaria de gastar seu tempo quando não tiver que trabalhar todos os dias. Dormir até mais tarde, assistir a sessão da tarde na TV ou cuidar do jardim podem parecer algo tentador quando se está na ativa, mas a situação pode perder todo o seu atrativo quando isso é a única coisa que se imagina fazer por 20 ou 30 anos. É cada vez maior o número de aposentados que desenvolvem atividades regulares quando param de trabalhar, seja para completar sua renda ou por desejo de realização pessoal.

Muitas pessoas começam a se envolver com uma segunda atividade quando ainda estão trabalhando, em seus momentos livres. Isso permite avaliar se é mesmo isso que gostariam de fazer depois, em tempo integral. Trabalhar enquanto se começa a fazer algo novo é vantajoso por vários outros motivos: você pode fazer uso do networking profissional, ter acesso a organizações que estariam fora de seu alcance de outra forma e, talvez o mais importante, poder contar com seu salário nos momentos iniciais, quando o retorno financeiro de uma nova atividade ainda é incerto.

Avalie sua situação financeira

É fácil se aposentar quando se juntou tanto dinheiro que não importa o estilo de vida que se leve ou quantos anos de vida se tenha pela frente. Mas, para a grande maioria das pessoas, essa quantia de dinheiro está fora do alcance. Ainda assim, mesmo que suas economias somadas ao benefício do INSS não sejam suficientes para bancar o estilo de vida que você gostaria de ter, é possível usar o tempo que falta a seu favor.

Você pode aumentar seu ritmo de poupança durante os anos que faltam para se aposentar. Ou adiar a aposentadoria por alguns anos para aumentar suas economias. Talvez você possa reduzir seu nível atual de despesas ou, se nada disso for possível, assumir um estilo de vida mais simples no futuro ou buscar alguma atividade remunerada para complementar sua aposentadoria.

Reexamine a alocação de seus investimentos

Você pode viver até os 80 ou 90 anos, e o mesmo deveria acontecer com suas economias. Segundo os especialistas, o tempo que você leva economizando responde por 10% do retorno de seus investimentos, enquanto a forma como você investe é responsável pelos outros 90%! Investir com cuidado, portanto, pode fazer toda a diferença nesse sentido.

A partir do momento em que para de economizar e começa a gastar o dinheiro que guardou por tanto tempo, a preocupação da maioria das pessoas é assegurar que o suas economias não irão perder seu poder aquisitivo ao longo do tempo.

É preciso avaliar cuidadosamente onde você vai alocar o seu dinheiro. Aplicações com maiores retornos financeiros significam maior risco, mas você já não pode esperar muito tempo para recuperar possíveis perdas financeiras. Por outro lado, aplicações excessivamente conservadoras, podem significar que seu dinheiro está perdendo para a inflação. Mantenha a maior parte de seu dinheiro em aplicações seguras, com menor rentabilidade, mas considere investir uma pequena parcela de suas economias em produtos que tragam retorno acima da inflação, embora com mais riscos, como os fundos multimercados ou até mesmo ações. Converse com o gerente de seu banco sobre as melhores opções para a sua situação específica. E por último, acompanhe de perto a rentabilidade de seus investimentos e faça os ajustes necessários sempre que for necessário.

Resgate seus relacionamentos sociais

É natural que, ao longo do tempo, seus relacionamentos sociais mudem para refletir os diferentes estágios de sua vida. Quando o trabalho já não ocupa a maior parte de nossos dias, a importância dos relacionamentos sociais para a nossa saúde emocional fica ainda mais evidente.

Os relacionamentos sociais e familiares são uma parte crucial da vida, em qualquer idade e vínculos afetivos de longa data oferecem um sentimento de continuidade e facilitam a adaptação às mudanças características dessa , fase da vida, como parar de trabalhar, mudar de residência ou perder alguém da família.

Cultive seus relacionamentos sociais e busque oportunidades para ampliá-los. Estreite seu relacionamento com familiares de diferentes gerações.

Mas o engajamento social vai além dos laços afetivos com amigos ou familiares. Envolva-se com questões sociais importantes para você e contribua da forma que puder – emocional, social ou financeiramente.

Prepare-se para o futuro – para os momentos felizes ou as horas difíceis – mas não se esqueça que, por mais preparado que você esteja, no fundo são os imprevistos que acabam tornando a vida mais interessante.

#planejamentodeaposentadoria #investimentos #carteiradeinvestimentos #planejamentofinanceiro #parardetrabalhar #aposentadoria #relacionamentossociais