Você tem medo de usar suas economias?

Por Rosa Maria Paulino

Muito bem. Você tem usado bom senso na hora de gastar,  poupado de forma séria e investido com todo o cuidado. Olhando para trás, você pode se orgulhar de ter poupado tanto quanto possível, evitando compras supérfluas ou desnecessárias. E de ter aplicado suas economias de forma sábia, aproveitando benefícios fiscais, apostando no rendimento acumulado dos investimentos de longo prazo e evitando riscos através de uma carteira de investimentos diversificada.

 

Você preparou sua aposentadoria e pode agora usufruí-la na íntegra. A menos que sofra de ataques regulares de ansiedade ao pensar que ainda pode ficar sem dinheiro...

Muita gente passa pelo mesmo processo de poupar ao longo da vida toda para - no momento de viver das economias acumuladas - se ver cercado do receio de acabar sem dinheiro. A transição entre a fase de economizar para a de gastar representa um passo psicológico difícil de tomar. Afinal, as pessoas passam anos focados em construir uma poupança que não deve ser usada e, de uma hora para outra, têm que passar a olhar essa poupança como a sua fonte de renda dali para a frente. Em parte, essa ansiedade tem fundamento. Estudos indicam que embora a maioria dos aposentados acredite que tenha poupado o suficiente, a maioria também admite não ter calculado formalmente quanto dinheiro tem para gastar a cada mês de modo a não esgotar suas economias. É importante entender que não há problemas em começar a sacar dinheiro de sua poupança, desde que você tenha criado uma estratégia financeira para isso.

O Mito de Viver de Juros

Para a maioria dos aposentados, não dá para viver dos rendimentos de suas aplicações porque para gerar até mesmo uma modesta renda anual, seria necessário ter acumulado um capital significativo. Por exemplo: para ter uma renda mensal de R$ 5.000,00, seria necessário ter investimentos da ordem de R$ 500.000,00 rendendo 12% ao ano acima da inflação. Portanto, a maior parte das pessoas que se aposenta deve se preparar psicologicamente para sacar dinheiro de suas economias a partir de um certo momento. Isso não deve ser visto como fracasso - afinal, foi para isso que as pessoas economizaram ao longo dos anos.

A estratégia de A.C. dos Santos, por exemplo, compreende três estágios: no estágio atual, ele e sua esposa contam com o benefício da Previdência Social, complementado com os rendimentos de aplicações diversas. O segundo estágio terá início quando ele atingir a idade necessária para passar a também receber os benefícios do plano de previdência de sua antiga empresa. O último estágio ocorrerá no momento em que precisar fazer uso do capital de suas aplicações. Segundo A.C., seu objetivo é reduzir suas despesas ao máximo ao longo do tempo, de modo a poder viver dos rendimentos tanto quanto possível e adiar o momento de entrar no capital acumulado.

De um modo geral, todos gostariam de poder contar com uma renda constante e garantida mas há sempre vantagens e desvantagens a serem levadas em consideração. Por exemplo, a certeza de renda vitalícia vai deixar você tranqüilo com relação a despesas básicas como moradia, alimentação e assistência médica mas muito provavelmente irá restringir em parte o acesso a seu capital. Produtos de investimento como fundos de ações oferecem maior acesso e controle sobre seu dinheiro, mas você precisa aceitar a volatilidade e a variação da renda disponível típicos dessa categoria de aplicação.

E se meu dinheiro acabar?

A maior preocupação das pessoas costuma ser gastar além de suas economias e passar dificuldades financeiras à medida que envelhecem. Muita gente faz seu planejamento financeiro pensando nos 65 anos, mas poucos se lembram que podem viver até 80 ou 90 anos. Além disso, a perspectiva é de que o processo de reformas profundas e de longo prazo na Previdência Social continue, transferindo a responsabilidade pela gestão das economias pessoais para o próprio aposentado. Fontes tradicionais de renda garantida como a Previdência Social e planos de benefício definido irão representar uma parcela cada vez menor da renda do aposentado. A boa notícia é que tem aumentado a oferta de produtos de investimento que podem ajudar a reduzir a distância entre despesas e receita.

A conversão de parte das economias em um fluxo garantido de renda vitalícia irá reduzir o risco e o medo de consumir todo o seu patrimônio. Aliada a uma estratégia de investimentos equilibrada entre produtos que geram renda e produtos voltados ao crescimento do capital investido, essa pode ser a melhor opção para muitas pessoas.
 

Esta informação tem caráter educativo apenas e não deve ser considerada como recomendação de investimentos. Procure a orientação de um consultor financeiro antes de tomar suas decisões de investimentos.

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