Você cuida de alguém doente? Cuidado com o stress.

Por Rosa Maria Paulino

É fato sabido que a maioria das pessoas que cuidam de familiares doentes é composta por mulheres adultas, que em sua maior parte acumulam as responsabilidades com sua própria família. Em muitos casos, a tudo isso ainda vem se somar um trabalho em período parcial ou integral.

 

Tomar conta de uma pessoa da família pode ser uma responsabilidade extremamente pesada, mesmo que você esteja apta a realizá-la. As demandas físicas e emocionais relacionadas ao trabalho de cuidar de alguém, somadas à necessidade de coordenar pagamentos, trâmites burocráticos junto ao hospital ou assistência médica, consultas médicas e administração de medicamentos podem resultar em sentimentos de frustração, raiva, culpa e, obviamente, total exaustão.

 

O resultado pode ser um estado de estresse que faz com que seu organismo libere adrenalina e cortisol, podendo resultar em aumento do ritmo cardíaco, nível de açúcar no sangue, pressão arterial e afetar seu sistema imunológico. Embora essas reações sejam uma forma de fazer com que seu corpo funciona em um alto nível de alerta, a sua manutenção por períodos prolongados afetam negativamente seu organismo, tornando seu corpo suscetível a doenças e infecções.

 

Preste atenção a oito sinais que podem indicar um nível de estresse perigoso em pessoas responsáveis por cuidar de familiares, embora, ironicamente, o maior sinal costume ser a negação de que exista algum problema:

  • Dificuldades em dormir, apesar do cansaço.

  • Irritação provocada por coisas sem importância.

  • Sentimento de estar continuamente exausta, desanimada ou ter recorrentes ataques de resfriado ou problemas estomacais.

  • Reação impaciente ou agressiva contra o doente, por coisas que estão fora de seu controle.

  • Excesso de auto-crítica com relação às suas habilidades e desempenho.

  • Perda de contato com os amigos com quem costumava sair e distanciamento das pessoas da família, que parecem ter uma vida mais fácil que a sua.

  • Descuido com relação às suas responsabilidades pessoais, como esquecimento de pagar contas, por exemplo.

  • Descuido com relação à sua aparência pessoal

  • Abandono dos  interesse e atividades de lazer que costumava praticar

  • Sentimento de depressão e ansiedade a maior parte do tempo​

Ao identificar esses sinais, adote de imediato as recomendações a seguir:

  • Consulte seu médico sobre sua dificuldade em dormir e outros sintomas físicos (ex. dores musculares provocadas pelo esforço de ajudar a pessoa a se movimentar ou constantes surtos de resfriado). Ele vai poder avaliar se você necessita de anti-depressivos.

  • Procure um terapeuta que possa ajudá-la a desenvolver formas construtivas de lidar com o estresse.

  • Seja realista sobre o que você pode ou quer fazer. Definir seus limites é uma das atitudes mais saudáveis que você pode adotar nessa situação.

  • Mantenha contato social. Se não puder sair, convide seus amigos para um café e um bate-papo.

  • Tenha alguém que possa substitui-la se você tiver algum problema de saúde ou precisar se ausentar por algum tempo. Pode ser outro membro da família ou um profissional da saúde que preste serviço a domicílio.

  • Use os serviços disponíveis em sua comunidade que possam facilitar sua vida: entregas a domicílio de compras do supermercado e da farmácia, diaristas para limpeza, grupos de apoio e até mesmo voluntários.

  • Sempre que o doente puder fazer algo sozinho, encoraje-o. Você ainda está disponível para ajudá-lo, mas não precisa fazer tudo sozinha.

  • Uma grande parte do trabalho de cuidar de alguém doente envolve algum tipo de esforço físico, com conseqüentes dores musculares. Tente encontrar tempo para sessões semanais de yoga ou alongamento. Se não puder freqüentar uma escola ou academia, habitue-se a fazer exercícios de alongamento em casa.

  • Peça ajuda da família. Não espere que outros familiares se ofereçam e, se isso ocorrer, aceite a ajuda. Diga o que gostaria que eles fizessem, explique como fazer e deixe que saibam que você não vai conseguir cuidar de tudo sozinha.

  • Use toda oportunidade que puder para dar risadas. Assista a comédias e seriados divertidos, escolha leituras que a ajudem a espairecer. Use seu tempo com o doente de forma a tornar mais leve a situação em que tanto você quanto ele se encontram.

 

Por último, lembre-se de que cada família e cada situação é diferente. Acredite em suas decisões e nas soluções que funcionam melhor para você.

 

O motivo mais provável para ter tomado para si uma responsabilidade tão pesada é o amor e o carinho que sente pela pessoa que necessita de cuidados. Esse sentimento é certamente recíproco e você pode ter certeza de que ela deseja o seu bem estar, físico, mental e emocional. Não dá para negar que a situação é difícil, mas não perca de vista que a vida continua – permita-se acreditar que tempos melhores virão.

 As informações contidas neste site não substituem em hipótese alguma as orientações dadas pelo seu médico. Somente ele está apto a diagnosticar e tratar qualquer problema de saúde.

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