Qual é a sua agenda para hoje?

Por Rosa Maria Paulino

Nos últimos 20 ou 30 anos você acordou cedo todos os dias, tomou um café da manhã corrido, enfrentou um  trânsito pesado e chegou ao local de trabalho pronto para enfrentar os desafios do dia. Seria monótono se não fosse tão bom! Ter uma rotina estruturada, encontrar os colegas , ser chamado para resolver problemas e trazer resultados...todas as reclamações feitas ao longo de anos escondem a gratificação trazida pelo trabalho e o orgulho de fazer parte de uma organização.

 

Mas hoje, você não precisa ir trabalhar. É seu primeiro dia de aposentado. Qualquer que tenha sido o motivo pelo qual você decidiu não mais trabalhar, hoje você pode dormir até mais tarde. Você pode fazer o que quiser, porque sua agenda, antes tão cheia de compromissos e horários, agora só tem páginas em branco.

 

A deliciosa sensação de liberdade e de ser dono do seu próprio tempo é muitas vezes rapidamente substituída pelo sentimento de desorientação, de não saber para onde ir e de não ter mais propósito na vida. Isso acontece porque ao longo do tempo, nossa identidade vai se misturando e acaba se confundindo com o nosso papel profissional. Quando paramos de trabalhar, não sabemos mais quem nós somos.

 

Mas a aposentadoria pode durar 20 ou 30 anos e isso é muito tempo para viver sem uma identidade. Na verdade, a sua identidade permanece aí, onde sempre esteve. O que precisa mudar, é o papel que você vai passar a desempenhar de agora em diante. O que você vai querer fazer daqui para a frente? Onde vai querer atuar? Que experiências vai querer viver? Como vai querer usar as habilidades que desenvolveu? Que diferença vai querer fazer na vida de sua família, de seus amigos, de sua comunidade?

 

Parar de trabalhar não significa parar de viver. Você ainda pode – e deve – fazer aquilo que lhe dá prazer, aprender coisas novas, criar, experimentar, contribuir.  Existem inúmeras possibilidades de desenvolver novos papéis, alguns em áreas de sua vida que você nem sequer imaginava existir.

 

Talvez você se interesse pelo voluntariado. Existem várias causas que merecem e precisam de todo apoio possível e alguma delas pode ser particularmente cara a você. É fácil encontrar grupos e organizações voltados a atuar em praticamente todas as áreas sociais e você pode contribuir com suas habilidades e conhecimentos ou simplesmente com sua força de trabalho.

 

Praticar esportes é uma excelente maneira de cuidar da saúde, encontrar amigos, se divertir. Você decide em que nível quer manter sua atividade física – é possível praticar um esporte como uma atividade de lazer aos domingos, assumir o compromisso de se exercitar regularmente ao longo da semana ou até mesmo definir como objetivo se tornar competitivo na prática desse esporte. O importante,é fazer algo de que goste e que lhe dê prazer.

 

Resgatar o convívio com a família é sempre uma descoberta, depois de tantos anos chegando tarde em casa. Seus filhos se tornaram adultos e você precisa, muitas vezes, redescobrir as pessoas em que se tornaram. Seus netos vão adorar contar com sua presença e a troca de experiência entre as duas gerações vai trazer benefícios para as duas partes.

O mundo está aí para ser descoberto, seja em lugares distantes ou bem próximos de onde você vive. Viajar é uma forma itinerante de aprendizado. Vale a pena estudar uma língua para se comunicar mais facilmente. Ou estudar a história ou a geografia do país para entender sua cultura. Vale a pena conhecer a gastronomia, os costumes, os heróis locais.

 

Voltar a estudar é uma prática cada vez mais comum entre pessoas que deixaram o trabalho para trás. Lembra do intercâmbio, que costumava estar disponível apenas para os jovens? Pois agora existem empresas especializadas em promover intercâmbios para pessoas mais velhas. Você viaja para outro país com pessoas de sua faixa etária para aprender um outro idioma e mergulhar na cultura local.

 

Se você tem algum hobby, este é o momento de se dedicar a ele. Se não tem, por que não escolher um para desenvolver? Hobbies ajudam a passar o tempo, desenvolvem habilidades valiosas e podem se transformar em uma atividade remunerada.

 

Falando em atividade, existem ainda muitas outras oportunidades de colocar a experiência que acumulou em prática, de forma remunerada ou não. É claro que você sempre pode encontrar formas mais flexíveis para continuar fazendo o que fazia antes: trabalhar em empregos sazonais, de meio-período, por projetos. Mas considere também usar suas habilidades para contribuir para sua comunidade, atuando como mentor para jovens carentes, ou trabalhando como professor em alguma escola do bairro.

 

Essa fase de sua vida pode durar várias décadas e você merece se sentir feliz ao longo de todas elas. Pense no que gostaria de fazer para continuar se sentindo não apenas produtivo  mas, principalmente, vivo.

 

Lembre-se de que a vida é uma dádiva e a sua vida continua, em um ritmo diferente do que tinha antes, é verdade, mas com o mesmo potencial de sucesso e realização.

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